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IBOPE//NetRatings divulga dados sobre o uso crescente da Internet PDF Imprimir E-mail
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Qua, 28 de Março de 2007 09:57
Estudo publicado no Meio & Mensagem foi elaborado pelos analistas do IBOPE//NetRatings, com base nos dados produzidos pelo IBOPE Mídia

 

Dois recordes foram quebrados no Brasil em 2006: o do uso da Internet nas residências e o da venda de computadores domésticos. Marcas simbólicas, mas que apontam para a crescente digitalização da cadeia de negócios da comunicação, principalmente para as empresas interessadas em atingir os consumidores mais jovens e afluentes.

Os internautas domiciliares brasileiros consolidaram sua posição como os que mais navegam no mundo, de acordo como o IBOPE//NetRatings, liderando o ranking por oito meses e fechando o ano com 21hs 30min de utilização da Web. Países como EUA, França e Japão estão ao redor de 18hs mensais de utilização da rede na residência.

Existem algumas hipóteses para explicar essa intensidade de utilização por parte dos brasileiros. A primeira é a de que, enquanto nos demais países monitorados pelo IBOPE//NetRatings o usuário da rede apresenta um perfil próximo ao da média da população, no Brasil sua utilização ainda é restrita aos grupos mais privelegiados, que também consomem intensamente outras mídias em geral –conjectura sustentanda pelos dados do Target Group Index (67% dos internautas consomem revistas com freqüência, 52% tiveram contato recente com jornais e 35% com TV por assinatura, números bastante superiores a média nacional). A segunda hipótese é a de que os povos latinos tendem a ser mais comunicativos que os anglo-saxões, o que leva a uma maior utilização da rede como ferramenta de contato (mensagens instantâneas, email e sites de comunidades), o que também é sustentado pelos dados disponíveis: brasileiros, francêses, espanhóis e italianos apresentam uma frequência de utilização mais alta de sites e aplicativos que envolvem estas modalidades de contato. Por fim, é preciso lembrar que o usuário domiciliar de Internet no Brasil está localizado predominantemente em grandes centros urbanos, e que a carência de espaços públicos para o lazer, associada com a violência crescente, reforça uma tendência de “enclausuramento” no domicílio, o que acaba beneficiando o uso da rede –hipótese que necessita ser comprovada por pesquisas mais aprofundadas.

Já o número total de pessoas com acesso no Brasil, considerando múltiplos locais de uso (residência, trabalho, universidades, etc), atingiu 32,9 milhões no final de 2006, praticamente estável em relação ao verificado no final de 2005. A expectativa para os próximos anos é que com a queda dos preços dos computadores e das conexões de banda larga, o percentual de brasileiros conectados aumente em relação ao total da população. Esse movimento vai aproximar um pouco mais o perfil do usuário da Internet com o da média da população brasileira que vive nos principais centros urbanos do país. Atualmente, a distância entre os dois ainda é elevada, conforme podemos observar na tabela abaixo:

Perfil do Internauta Brasileiro

 

Carac. Sócio-Demograf.
Pop. em geral
Usuários Internet
Classe A/B
32%
59%
Classe C
39%
34%
Classe D/E
30%
8%
Homens
48%
52%
Mulheres
52%
48%
Faixa Etária: 12 a 19
19%
25%
Faixa Etária: 20 a 24
13%
17%
Faixa Etária: 25 a 34
22%
24%
Faixa Etária: 35 a 44
20%
18%
Faixa Etária: 45 a 54
16%
12%
Faixa Etária: 55 a 64
10%
4%

* qualquer local de acesso, utilização mínima de 1 vez ao mês

Fonte: Target Group Index Ano 7 onda 1+2 (Jul05-Jul06)  

 

Conforme observamos, a grande maioria dos internautas é das classes A/B, geralmente um pouco mais jovens que a média da população. A medida que aumentam as vendas de computadores populares, deveremos verificar um aumento da participação da classe C. Em 2006, segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), a venda de computadores cresceu 43%, atingindo 8,3 milhões de máquinas, um recorde para o setor. Deste total, 3,5 milhões de equipamentos são de uso doméstico, adquiridos majoritariamente pelas classes B e C, segundo a Abinee.

Em relação as camadas menos favorecidas, o acesso, como em outros países em situação similar, dependerá de políticas públicas mais agres sivas, notadamente a informatização de unidades do ensino médio/básico. Atualmente, apenas 11% dos internautas brasileiros acessam a rede através de escolas/universidades, enquanto o domicílio, próprio ou de amigos e parentes, continua sendo a principal fonte de uso da Web.

Diversão e Comércio em alta

Em relação ao uso da rede propriamente dito, merece destaque o crescimento da sub-categoria Vídeos e Filmes, que passou de 2,1 milhões de usuários domésticos em janeiro de 2006 para 5,7 milhões no final do ano, um crescimento de mais de 160% (o sistema de medição de audiência domiciliar da Internet do IBOPE//NetRatings utiliza 15 categorias e 74 sub-categorias para classificar os sites). O Youtube.com, site mais emblemático desta tendência, passou de 57 mil usuários em dezembro de 2005 para 4,1 milhões em dezembro de 2006. Turismo também foi um segmento que cresceu bastante (64,8% na comparação com dezembro/05), assim como os sites de cartões de crédito, que pela primeira vez ultrapassaram a barreira de 1 milhão de usuários (crescimento de 67,5% no ano).

Crescimento do acesso domiciliar residencial 2006
Principais Categorias

 

Categoria
Crescimento Audiência
Turismo e Viagens
65%
Casa e Moda
55%
Automotivos
40%
Família e Estilo de Vida
37%
Informações Corporativas
35%
Notícias e Informações
34%
Educação e Carreiras
29%
Computadores e Eletrônicos
28%
Entretenimento
25%
Comércio Multi-Categoria
23%
Finanças e Investimentos
22%
Busca / Portais e Comunidades
20%
Telecom e Serviços de Internet
20%
G overno e Entidades sem fins lucrativos
17%
Ocasiões Especiais
7%

Fonte: IBOPE/NetRatings  

 

O comércio eletrônico é outro setor que apresenta uma grande evolução no Brasil. De acordo com o Target Group Index, 16% dos internautas brasileiros realizaram pelo menos uma compra on-line no ano passado (excluindo-se alimentos e bebidas). Considerando apenas a população com renda mensal superior a R$ 4.500, 31% realizaram compras pessoais pela rede nos 30 dias anteriores ao levantamento (1o Semestre de 2006) –ou seja, entre os brasileiros com maior poder de consumo, 1 em cada 3  utiliza a rede com frequência para suas compras. Além disso, é preciso lembrar que o impacto da rede sobre o consumo acontece não somente pela transação em sí, mas também pela decisão de compra  (pesquisa de preços, características de produtos, etc).

Quanto mais “informacional” a decisão de compra, maior a importância da rede –o que explica, por exemplo, o crescimento dos sites automotivos, embora ainda seja muito raro fechar a compra de um carro pela Web. Com base em estudos clássicos sobre a adoção de novas tecnologias, o IBOPE Inteligência produziu o relatório “O consumidor de eletroeletrônicos no Brasil”, verificando como as tradicionais ondas de adoção de inovações se comportavam em nosso país. Os internautas pertencem majoritariamente ao grupo de “atualizados planejadores”, que baseiam suas compras em muita informação e avaliação. Sob este aspecto, vale destacar que ao longo de 2006, considerando-se apenas o acesso domiciliar, mais de 7 milhões de brasileiros visitaram mensalmente sites de comércio eletrônico, não somente com o propósito de fazer compras, mas também obter avaliações e preços dos produtos.

O futuro

O grande desafio em termos do uso da rede em nosso país nos próximos anos será a superação do que, nos estudos de adoção de inovações tecnológicas, é conhecido como “hiato de adoção” – o período que separa os adotantes iniciais, tradicionalmente mais ricos e com maior escolaridade, da maioria dos consumidores, que formam o mercado principal para um novo produto ou serviço com fortes características de inovação.

Preço é uma destas barreiras, que está sendo (gradualmente) superada em nosso país. Entretanto, outras permanecem (disponibilidade, facilidade percebida de uso, atendimento das reais necessidades dos consumidores, pressão do grupo social/família, etc). Sua superação vai exigir um esforço conjunto tanto do lado da oferta (empresas) como da regulamentação  (governo), dentro de um ambiente econômico relativamente estável. Este “concerto” entre as ações dos agentes privados com as políticas públicas será decisivo para generalizar a “história de sucesso” da Web brasileira (altos índices de utilização, serviços inovadores) para os grupos menos favorecidos –e mais numerosos&m dash; da nossa população.

Refletindo o crescimento do uso da rede no Brasil, os principais portais investiram na oferta de seus serviços em outros meios de comunicação. O investimento publicitário das empresas de Internet cresceu 25% na comparação entre o 3o trimestre de 2006 e o mesmo período do ano anterior, atingindo R$ 186 milhões, segundo o IBOPE Monitor (no mesmo período, o investimento publicitário como um todo cresceu 12%).

Os provedores lideram o gasto, embora outros sites apresentam maior crescimento relativo ao período.

 

Moeda: R$ (000)
Setor econômico INTERNET
Distribuição dos Investimentos
Categoria
Jul a Set/2005
Jul a Set/2006
Var. (%)
E-commerce
13.124
24.706
88
Instituc Internet
378
-
-
Provedor
106.299
96.578
-9
Site
30.027
            
65.406
118
Total
149.827
186.689
25

Fonte: IBOPE Monitor 1ª remessa de dezembro de 2006

 

A distribuição dos investimentos privilegiou a TV aberta e por assinatura, em linha com os hábitos de consumo dos internautas. Segundo o Target Group Index, 97% dos internautas possui contato freqüente com a TV aberta, e 35% com a TV por assinatura.

Internet - Distribuição dos investimentos 
Meio Jul_2005
a
Set_2005
Jul_2006
a
Set_2006
Part. (%) 2006 VAR. (%)
Jornal
22.235
32.825
18
48
Outdoor
50
206 
0
310
Revista
13.334
15.957
9
20
Rádio
3.479
2.178
1
-37
TV
91.046
88.114
47
-3
TV assinatura
19.683
47.410
25
141
Total
149.827
186.689
100
25

Fonte: IBOPE Monitor 1ª remessa de dezembro de 2006


Fonte: IBOPE